ESPECIAL MARÇO – 6º bate-papo NELCI MARQUES SCHULTER

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NELCI MARQUES SCHULTER, nasceu em Guaramirim e veio com a família para Joinville, com apenas 40 dias. Em 1991 concluiu Letras, na antiga FURJ, hoje UNIVILLE. Foi Diretora de Comunicação na Gestão 2016-2020 e continua contribuindo na atual gestão, como suplente na Direção Executiva. Se apresentou, na entrevista, como: brasileira, mulher, mãe, professora e sindicalista.

Aproveitou a oportunidade para partilhar um pouco de sua experiência e suas preocupações, como por exemplo: “Eu tinha 19 anos quando pisei pela primeira vez em sala de aula como professora e de lá para cá nunca mais parei, sempre em sala de aula. Já vi muita coisa acontecer na educação nesses anos todos: coisas boas e coisas ruins. Sempre tive para mim que a educação é a oportunidade para muitos de expandir/ampliar a visão de mundo e assim melhorar a vida em comunidade. Continuo acreditando nisso, apesar das condições opressoras e castradoras a que professores e estudantes são submetidos diariamente, pois num país onde a educação é entendida como mercadoria ou metas estatísticas a serem atingidas, fica difícil a liberdade de criação. Infelizmente, algumas escolas têm se reforçado como local de competição e reafirmação da divisão de classes. E muitos profissionais da educação acabam, sem se dar conta muitas vezes, sendo promotores desse contexto competitivo e classificatório, de certa forma, não têm consciência do que estão fazendo porque também são consequência desse meio e não há espaço/tempo na sua rotina diária para romper esse ciclo. Hoje, apego-me às pequenas coisas boas do cotidiano escolar como o fato de um aluno que consegue enxergar além da caixa, outro que sente compaixão e se solidariza em ações, o professor que liberta a arte, flashes de diálogos construtivos que surgem. Para mim, são sinais de esperança. ”

Em relação à mulher e seu papel na atualidade, continua enfática: “Posso dizer que não é fácil ser professora, e ser mulher é mais difícil ainda, mas também não é fácil ser qualquer pessoa que esteja sob opressão ou marginalizada de alguma forma. As dores, o sentimento de inferioridade, a insegurança, o medo de ser você mesma, a incapacidade, a rejeição, a agressão, se você não luta, vão se naturalizando no dia a dia e você se fecha como ser humano e vira coisa. Por isso é uma luta interna, individual e constante, mas talvez o diferencial hoje de ser mulher é que estamos ganhando (ou dando) visibilidade a essas dores e com isso, o que é individual, vem se transformando em coletivo. E o que me dá mais força e me inspira é isso: a luta coletiva das mulheres, porque quando você está numa condição de sofrimento, compartilhar suas dores dá mais força e coragem para continuar e é assim também na organização sindical, quando nos juntamos, nos fortalecemos e aí sim podemos pensar num contexto social diferente. ”

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