ESPECIAL MARÇO – 2º bate-papo com Antonia Maria Grigol

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ANTONIA MARIA GRIGOL, 56 anos, natural de Faxinal dos Guedes/SC, é enfermeira, foi Diretora de Educação e Formação Sindical do SINPRONORTE (na gestão 2016-2020).

Desde criança via o pai participando do Sindicato dos Agricultores Rurais e percebia que o sindicato era um local em que havia pessoas que defendiam os agricultores com menos posses. A medida que foi criando consciência do que significava o processo saúde e doença, passou a se perguntar: do que morrem as pessoas? O que elas fazem para sobreviver? “Quando iniciei na enfermagem, na minha cidade, me chamava a atenção que quase todos os dias chegava uma Brasília amarela trazendo algum trabalhador de madeireira com cortes nas mãos. No hospital ele recebia atendimento e era encaminhado para o INPS na época. Eu me perguntava será que não podem evitar estes acidentes? Mais tarde na Universidade fui estudar os acidentes de trabalho no Brasil e lá estavam os sindicatos lutando por melhores salários e também por condições de trabalho.”

Sua entrevista pode ser lida como uma “declaração de amor” ao direito universal à saúde pública e ao SUS. Mas também como um manifesto à organização dos(as) trabalhadores(as). “Cheguei em Joinville em 1991 e logo me filiei ao sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville – SINSEJ, atuando na base. Em 1999 quando Fui contratada para dar aulas em uma faculdade privada, me sindicalizei no mesmo ano. Tinha muito claro que quem faz os sindicatos são seus trabalhadores e somente com luta e muita luta a gente consegue melhorar o salário, consegue processos de trabalho mais saudáveis e vários outros benefícios.”

Na Universidade conheceu a proposta do SUS, antes mesmo da VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986. Desde então, passou a defender um Sistema Único de Saúde no Brasil, que garantisse o acesso universal, o cuidado integral de todas as pessoas e o cuidado equânime, que significa que cada pessoa tem direito de receber mais quando precisa mais. E tem sido este sistema que, com todas as dificuldades, tem garantido a assistência a milhões de pessoas em todo país.

Com estes princípios bem definidos aceitou ser Secretária Municipal de Saúde de Joinville, “que eu acho que foi um dos maiores desafios da minha vida, porque o gestor municipal é responsável pela saúde de todas as pessoas do município, inclusive daqueles que buscam a assistência médica na iniciativa privada. O mais difícil acho que foi porque as pessoas nem sempre sabem que todas usam o SUS todos os dias. Veja agora na pandemia: além da assistência médica, as vacinas que estão sendo produzidas pelo Instituto Butantã e pela Fiocruz, são serviços do SUS; as pesquisas, a vigilância que vai desde a fiscalização da carne que compramos no mercado até o creme dental usado diariamente, tudo isto tem a marca do SUS.”

Em 2016, aceitou participar de uma gestão do SINPRONORTE. “Foram 4 anos bastante difíceis, porque primeiro tivemos o golpe contra a presidenta Dilma, uma mulher honrada e honesta. O Governo Temer assume e inicia a destruição dos direitos dos trabalhadores principalmente a Reforma da Previdência e o Reforma Trabalhista que modifica completamente as relações de trabalho. No ano de 2020, no ano que terminamos a gestão do sindicato, disputei a vice-prefeitura de Joinville pelo Partido dos Trabalhadores.”

Sobre a pauta feminina, deixou bem clara a sua posição: “Ser mulher atualmente é provar todos os dias que você é mulher e precisa estar atenta para combater o machismo, o racismo, a misoginia a gordo fobia. A luta pela igualdade de gênero deve estar presente. Atualmente as mulheres estão mais engajadas nas lutas pelos seus direitos, mas estamos vivendo há um ano a pandemia de coronavírus e quem mais está sendo penalizada são as mulheres, com a perda de direitos a perda dos empregos. O isolamento social sem amparo dos governos nos fazem sofrer. A luta por vacinas deve ser nossa também.”

Para os associados ao SINPRONORTE, deixou também uma mensagem: “Não desistam de lutar porque nós fortalecemos o sindicato, e somente quando os trabalhadores estiverem unidos irão se contrapor aos processos de trabalho não saudáveis e por salários melhores. Eu acredito que é possível construir consciência de classe, mesmo que demore. Acredito que a revolução será feminista, porque nós não aceitamos mais o papel de coadjuvante, nós estamos mais engajadas nas lutas populares, nas ruas nas redes sociais e principalmente nas eleições. Veja bem, no SINPRONORTE, depois de 30 anos temos a primeira mulher no comando. A questão feminista tem que ser colocada no centro, a participação das mulheres deve ser incentivada, garantida, fomentada e respeitada e, claro, com o devido protagonismo. Eu sonho que todas, todos e todes se associem ao sindicato e que possamos lutar por melhores condições de trabalho mas também participar da construção do processo ensino aprendizagem que contemple as muitas tecnologias presentes no nosso cotidiano. Bora lá se filiar no SINPRONORTE!”

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