Lucros aumentam, mas investimento em salários não

postado em: Notícias | 0

Enquanto a receita líquida dos grupos de ensino superior com capital aberto cresceu 201% entre 2010 e 2014, a participação dos salários nessa receita caiu de 45% para 35% no mesmo período. Os dados são dos balanços dos quatro grupos de ensino superior de capital aberto (tubarões do ensino): Kroton-Anhanguera, Anima, Estácio e Ser.

tubarões do ensinoO Fies foi um dos impulsionadores desse crescimento fantástico nos lucros das empresas que comercializam o ensino. Só o grupo Kroton-Anhanguera recebeu mais de R$ 2 bilhões do governo federal referentes a pagamentos de mensalidades de alunos do Fies. Segundo a pesquisa, 59% dos alunos são do Fies.

A mercantilização do ensino ataca a qualidade de formação dos alunos e também a qualidade de vida dos trabalhadores. A pesquisa mostra claramente o crescimento das receitas que são convertidas em lucro para os acionistas. Já para os trabalhadores, o reajuste salarial quase não dá conta de repor a inflação.

Entre 2010 e 2014, o governo repassou mais de R$ 30 bilhões para os tubarões do ensino por meio do Fies, e o Kroton é o maior beneficiário. Para simples comparação, o orçamento anual de investimentos em todas as Instituições Federais de Ensino (Ife) somadas não ultrapassou os R$ 2,59 bilhões em 2014.

No caso específico do grupo Kroton-Anhanguera é gritante a disparidade de investimento com salários ao longo do tempo. Em 2010, 52% da receita era destinada aos salários. Já em 2014 esse índice caiu para 29%.

lucro-ensino-privado-tubaroes-do-ensino
Parte cinza do gráfico de barras mostra o crescimento da fatia que representa o lucro dos acionistas. (Produzido por O Estado de S. Paulo)

Como comparação, os gastos com professores no Mackenzie respondem por 67% da receita. Na Unicsul, empresa particular de capital fechado, é de 52%. Nas instituições públicas, esse percentual quase sempre supera 70%.

A estratégia para enxugamento da folha de pagamento é simples: demissão de professores e lotação de salas.

As informações fazem parte de um estudo feito pelo professor Oscar Malvessi, da Fundação Getúlio Vargas. O trabalho foi encomendado pela Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp).

Veja Mais: Reportagem completa feita pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre a pesquisa.

Veja Mais: Em meio a cortes na educação federal, Kroton lucra R$ 455 mi em três meses

Com dados de SinproSP, ANDES-SN e O Estado de S. Paulo.

 


 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezesseis + 2 =